Proibido Buzinar
- Arlindo David
- 20 de mar. de 2024
- 2 min de leitura
Periferia do Maracanã, três horas antes da decisão do campeonato entre Flamengo e Vasco. As ruas e bares lotados de torcedores dos dois times. Paulo Maurício, no volante do seu Gol, com a namorada do lado, espera pacientemente que um senhor grisalho, na sua Visant azul clara, manobre o carro na sua frente. Ele está há mais de dez minutos pra trás e pra frente, sem sair do lugar.
Sua namorada, fula da vida, diz:
-Não entendo por que só você não buzina. Estou te estranhando, nunca te vi tão paciente assim. Deixa eu buzinar.
-Não! Diz ele tirando as mãos dela do volante. Calma que ele já vai conseguir.
Eles estão parados bem em frente a um bar onde a torcida Força Jovem do Vasco está concentrada, tomando cerveja antes do jogo.
Uns quarenta torcedores ficam bem ao lado do seu carro e passam a incentivar o velhinho.
-Vamos, vovô, tá quase, solta o freio de mão!
-Dá-lhe, Rubinho!
Paulo Maurício sorri sem graça. Estranhamente ele sua muito na testa. Meia hora depois, livre do braço duro, ele respira aliviado e responde a namorada.
-Eu sei que você estranhou o fato deu não ter perdido a paciência e buzinado pro velhinho. É que, você deve ter reparado, estávamos bem em frente a um bar onde o pessoal da Força Jovem do Vasco estava reunido.
-E daí?
-E daí? É que troquei a buzina do carro ontem, escuta só:
E o hino do time de futebol mais popular do Brasil resoou de forma inconfundível:
"Uma vez Flamengo, Sempre Flamengo..."
Espero que tenha gostado deste conto extraído do livro "Afinal de contas, A trompa é de Esutáquio ou de Falópio?". Para mais histórias emocionantes, não deixe de conferir o livro completo aqui.
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